Como foi o início da sua carreira? E por que você escolheu trabalhar com biblioteca e leitura?

Eu era professora do Ensino Fundamental. Não tinha biblioteca na escola, tinha só um armário com livros e aquilo começou a me incomodar. Então, comecei a vender doces na escola. Abri como se fosse uma cantina precária para arrecadar dinheiro para comprar livros, porque os alunos não tinham. Aos poucos fui montando uma biblioteca e foi ficando muito legal! Depois resolvi fazer um curso de biblioteconomia. Eu já era professora há 11 anos naquela escola. Fiz o curso, mas eu não queria outra biblioteca. Eu queria aprender com os livros da biblioteca escolar, porque a minha intenção não era sair dali. Mas, quando eu me formei, fui chamada para trabalhar com as bibliotecas das escolas de Campinas e, logo em seguida, fui para as bibliotecas públicas ser coordenadora. Aí eu deixei a escola e fiquei nas bibliotecas. Então, eu comecei com a biblioteca escolar, fui para a biblioteca pública, depois, como eu sou votante da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, que é parceira do Ecofuturo, entrei em contato com as bibliotecas comunitárias. Também fiz estágio em uma biblioteca universitária, mas na verdade eu só gostava mesmo da escolar, eu nem prestava muita atenção nas outras. No fim, passei por todas

Em Campinas, em 1993, a gente tinha um projeto em que todas as escolas da rede tinham biblioteca e a gente coordenava esse trabalho. Hoje elas existem, mas cada uma se organiza de um jeito diferente, do jeito que dá. Não tem um método que ligue todas. E eu tenho visto nas viagens que faço que toda essa questão da Campanha “Eu Quero Minha Biblioteca”, essa necessidade da biblioteca na escola, está crescendo. As pessoas estão se movimentando. Não chega ser ainda a maravilha do século, mas é um avanço. A gente aprende a ler e a escrever na escola e ainda muitas não tem biblioteca. Olha que coisa mais maluca: como você aprende a ler? Lendo!

Por que você acha importante ter uma biblioteca na escola?

Bom, primeira coisa: eu adoro livros. E em uma livraria é tudo muito caro, caríssimo. Então, a biblioteca existe para isso. As pessoas não precisam pagar nada. Agora, ela teria que ter tudo o que tem em uma livraria, mas sem custo. Existe leitura de estudo, leitura para pesquisa, leitura para entretenimento. Se a biblioteca fosse igual uma livraria e não fosse sucateada com coisas velhas isso seria uma função importante. Afinal, você tem todos os livros sem precisar pagar nada.

A segunda coisa é que a gente também aprende a usar o coletivo. É pedagógico o uso da biblioteca. O usuário vai aprender que não pode rasgar, porque o livro não é dele, é nosso, de todo mundo. Se ela fica com o livro, o outro não pode pegar, então é um aprendizado de usar a coisa coletiva. Eu acho isso muito legal, sem contar que a biblioteca é um centro de informação. Para escola, por exemplo, ela é fundamental. Tudo que acontece dentro da escola deveria passar pela biblioteca. O projeto pedagógico deveria contemplar todo o material que existe nela. Ainda é precário isso, mas a gente já vê algumas escolas pensando assim.

Qual sua dica de biblioteca?

Eu gosto muito da biblioteca comunitária de Agudos, acho uma referência. Ela é diferente, não fica só a espera do usuário, ela vai atrás, faz atividades fora da biblioteca, ultrapassa as paredes. A biblioteca de Agudos faz trabalho com leitura, visa formar os leitores mesmo. A intenção é levar a biblioteca a lugares que as pessoas não conhecem, não tem acesso. Acho que essa é uma das funções da biblioteca, não é só ficar esperando o leitor.

E uma dica de livro?

Eu li um livro recentemente muito legal para jovens que chama “Trash”, do Andy Mulligan. Vou aproveitar e dar uma dica para crianças. O livro se chama “Os Pássaros”, do Germano Zullo Albertine.

Gláucia Maria Mollo

Orientadora Pedagógica da Rede Municipal, com Licenciatura em Pedagogia, Bacharelado em Biblioteconomia e Mestre em Biblioteconomia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.  Foi Coordenadora das Bibliotecas Escolares da Rede Pública Municipal (de 1993-1997), Coordenadora das Bibliotecas Públicas Municipais (de 1996-2003) e Coordenadora do Comitê do Programa Nacional de Leitura (PROLER) do município de Campinas (de 1998-2005). Atualmente é responsável pelo Projeto Leitura em Movimento da Secretaria Municipal de Cultura (desde 2001), especialista que ministra cursos de Auxiliar de Biblioteca junto ao Projeto Bibliotecas Comunitárias Ler é Preciso (desde 2005) e é Votante da Fundação do Livro Infantil e Juvenil (desde 1999).

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