Toda proposta educacional cujo eixo do trabalho pedagógico é a qualidade da formação a ser oferecida aos estudantes deve tanto proporcionar o acesso aos bens culturais produzidos socialmente quanto garantir condições concretas para construir estruturas que capacitem os alunos a um processo de educação permanente. Com base nessa premissa, a existência de uma biblioteca, no contexto escolar, cria as condições básicas para que o indivíduo constitua o primeiro elo com o capital de conhecimento acumulado ao longo da história, cujo registro tenha-se dado sob a forma do texto escrito.

Se tomarmos a leitura como um ato construído socialmente, temos de orientar as ações de leitura, considerando não só as mais variadas formas de registro escrito, mas também – e fundamentalmente – o acesso irrestrito aos mais variados suportes de informação. Afinal, a competência do leitor se forma na constância e na diversidade com que ele visita os tipos mais variados de textos. Como a escola é um espaço privilegiado – embora não exclusivo – das práticas sociais de leitura com textos escritos, cabe-lhe também promover o acesso aos diferentes suportes de informação que abrigam esses textos – da literatura ao texto científico –, não como redenção para os problemas educacionais, mas como fator fundamental para uma educação escolar bem-sucedida. Nesse sentido, Silva (1986, p. 133) afirma:

A biblioteca escolar é um espaço democrático, conquistado e construído através do “fazer” coletivo (alunos, professores e demais grupos sociais) – sua função básica é a transmissão da herança cultural às novas gerações de modo que elas tenham condições de reapropriar-se do passado, enfrentando os desafios do presente, e de projetar-se no futuro.

Em suma, a biblioteca escolar deve assumir seu lugar no espaço pedagógico, como um centro dinamizador da leitura e difusor do conhecimento produzido pela humanidade (em qualquer suporte de informação). Deve, ademais, constituir-se na primeira oportunidade concreta de acesso ao patrimônio científico e cultural, para a maioria das crianças quando ingressam na escola pública.

Maria das Graças Monteiro Castro é professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb) da UFG; mestre em Educação e atual diretora-geral da Editora UFG. Coordenou, no período 2001-2004, atividade de extensão voltada para assessorar a implantação de bibliotecas escolares nas unidades educacionais da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia.

Confira o texto na íntegra fazendo download do arquivo, na coluna da esquerda.

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