Em dezembro de 2011, o Movimento por um Brasil Literário enviou o documentário “A palavra conta“, dirigido por Duto Sperry e Leo Gambera, para todas as secretarias municipais e estaduais de Educação e de Cultura e Ministérios das mesmas áreas. Fez parte do conjunto de materiais enviados, o “Manifesto por um Brasil Literário” e uma carta do poeta mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, ilustrada pelo premiado autor e ilustrador Roger Mello. Foram quase 6 mil pacotes distribuídos – e diferentes iniciativas foram postas em prática.

Hellenice Ferreira é filósofa, escritora e professora da rede municipal de ensino de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Ela também é responsável pela coordenação da Equipe de Leitura da Secretaria Municipal de Educação do município. Este grupo, formado por 11 pessoas existe há 20 anos e coordena a formação de mais de 200 professores que atuam como dinamizadores de leitura em sala de aula e atendem desde creches até unidades escolares, passando também pelo ensino de adultos.

Em 2009, parte da equipe de formadores de professores esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e escutou a leitura feita pelo poeta Bartolomeu Campo de Queirós, por ocasião do lançamento do Manifesto por um Brasil Literário “No ano seguinte, Bartolomeu esteve conosco no Seminário chamado ‘Ciranda da Palavra’. Sua fala, poética, envolvente e comprometida com esta causa e com a cidadania por meio da apropriação da leitura, conquistou a todos nós”, diz Hellenice.

O tempo passou desde o primeiro contato com o manifesto mas o trabalho da Equipe de Leitura continuou. A chegada do material enviado pelo Movimento por um Brasil Literário fortaleceu a vontade de transformar o município. “Voltou com força à memória o manifesto, a vontade de homenagear, através de nosso trabalho por uma Duque de Caxias mais literária, esse autor e pessoa tão querida que é Bartô”, diz. Foi aí que nasceu o projeto “Desvelando caminhos por um Brasil literário: ontem, hoje e sempre!”, que tem como um dos pilares o estudo do Manifesto por um Brasil Literário.

O documentário também foi exibido e compartilhado com os professores da Equipe de Leitura. Em agosto de 2012, a exibição se repete. De acordo com a professora, o documentário “além de nos alimentar, nos impulsiona a levantar essa bandeira e dar sentido a ela”, afirma.

Distante de Duque de Caxias, no litoral Sul da Bahia, município de Itajuípe com população de aproximadamente 22 mil habitantes, a ex-secretária municipal de Educação Marcia Lima escreveu ao MBL para contar a dificuldade em elevar os níveis de proficiência em leitura e escrita no município. A troca entre a professora e o MBL ajudou a secretaria a assumir o compromisso e o desafio de formar leitores dinâmicos, que encontrem prazer no ato de ler. “Mediante esse contexto lançamos alguns projetos, como o Prêmio Professor Cidadão, em que os professores são estimulados a participar com uma experiência de projeto exitoso em sua sala de aula, a fim de tornar mais prazeroso o ato de ensinar”, diz Marcia.

Este ano, o documentário “A Palavra Conta” fez parte da Jornada Pedagógica, que aconteceu em fevereiro, com o tema “Desafios da docência na gestão da aprendizagem”. O filme do Movimento por um Brasil literário serviu de inspiração e de base para o debate “Desafios e possibilidades da competência leitora na Rede Municipal de ensino”. Segundo Márcia, “ainda há desafios, como revitalizar as salas de leitura e dinamizar a leitura nos espaços escolares e no entorno deles”, conta. “Obrigada por vocês contribuírem com um documentário tão importante.”

Essas são apenas algumas das histórias que partilhamos. Se você também tem uma experiência parecida, conte para nós aqui. São essas iniciativas que ajudam a fazer do Brasil um país de leitores. O movimento por um Brasil literário é que agradece.

Participe também das atividades do Movimento por um Brasil literário na 10a FLIP, que abordarão um debate sobre biblioteca da escola e uma homenagem ao poeta Bartolomeu Campos de Queirós.

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