A literatura nos abre mundos. Lendo é possível estabelecer uma profunda relação de intimidade entre o leitor, o escritor e os seus personagens. Ao abrir um livro, uma nova história começa sob a perspectiva de quem o lê. A leitura literária possibilita o exercício da liberdade, abre espaço para a fantasia e o poder de criar. É capaz de abrir um diálogo entre o vivido e o sonhado, de acolher as inquietudes e incluir as diferenças, como mostra o Manifesto por um Brasil literário. Na recomposição do sentido da vida, no resgate capaz de gerar outra vez emoção e na manutenção da memória de quem somos, a leitura literária pode exercer sua função social.

Por isso, estamos celebrando o primeiro ano do Movimento por um Brasil literário. Foi em julho do ano passado, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, na Casa de Cultura, que tornou público este movimento, com a leitura pública do Manifesto por um Brasil literário, de autoria do poeta Bartolomeu Campos de Queirós. Nesse primeiro período, trabalhamos pela consolidação do movimento e fomos aos poucos descobrindo a sua natureza e o seu papel. Seguimos nessa mesma busca, sabendo o quanto caminhamos, mas tendo também a certeza de que há muito o que avançar. Temos hoje mais de 4 mil adesões no site e 1.200 seguidores no twitter; agregamos novos parceiros institucionais; contamos com a participação de escritores, professores, representantes do setor público, da sociedade civil e bibliotecários; estamos construindo uma ação junto a jornalistas para qualificar a cobertura sobre a promoção da leitura e colhemos depoimentos para uma campanha nacional de incentivo à leitura literária, além de reunir material para um documentário sobre esse tema.

Flip deste ano, parceira do Movimento por um Brasil literário, abre outra vez espaço para as discussões sobre a importância da leitura de literatura. Teremos uma casa no centro histórico de Paraty especialmente destinada a esse debate. E o documentário produzido será lançado no próximo dia 5 de agosto, na Casa de Cultura de Paraty. Continuamos estruturando o Movimento por um Brasil literário – é um processo que não cessa – e esperamos ajudar a fortalecer e a expandir o Brasil leitor que queremos. Quanto mais pessoas se juntarem a esta causa, mais força e forma ela terá. E estamos abertos às contribuições. Porque, como diz Bartolomeu, “uma democracia se estabelece quando as diferenças convivem em igualdade de direitos e deveres, sem ignorar a imensurável capacidade criadora que move todos os humanos. Na leitura literária, os leitores, movidos pela emoção, passam a perceber a poesia que circula no mundo, como estendem sua poesia ao mundo. Na experiência da leitura também o leitor é criador.” Por acreditar que a leitura literária permite dar sentido às experiências sociais, como um espelho de nós mesmos, por compreender a relevância de se investir no comportamento leitor e por sermos um movimento, tudo o que pensamos na perspectiva de promover a dignidade dos homens e mulheres – e que tem a leitura literária como objeto – pode se associar a esta ação política.

Agradecemos a cada um que participa desta causa e esperamos juntos ampliar a nossa atuação e a incidência dessas ações, por sonhar um país mais digno e mais justo em cujo acesso aos livros de literatura esteja garantido.

Muito obrigada,
Maria Carolina Trevisan

Movimento por um Brasil literário

Ps.: a foto ao lado é do Che Guevara, um leitor fervoroso. Lia até em combate. A literatura era seu refúgio.

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