“Sem literatura, a escola se torna um espaço de repetição e de adestramento”. A afirmação foi feita pelo escritor de livros infantis Bartolomeu Campos de Queirós, em palestra durante o 13° Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, realizado no Rio de Janeiro entre 6 e 17 de junho.

“A literatura é fantasia e a fantasia é responsável por tudo de novo que podemos ter no mundo, já que o real é a fantasia que ganhou corpo”, disse Bartolomeu. “Se a escola não promove a leitura de literatura, ela apenas repete o conhecimento já adquirido pelo homem, mas não abre novas portas e direções para as crianças”, completou.

Na opinião do escritor, sem literatura a escola perde sua função. “A função da escola não é adestrar e, sim, educar. E educar significa não só transmitir conhecimentos adquiridos, mas possibilitar a descoberta do novo”, afirmou.

O autor também apontou que a leitura de literatura representa o compromisso da escola e dos professores com a liberdade. “Os homens devem ser educados porque devem ser livres para escolherem seu destino”, observou.

Porém, para Bartolomeu, dois pontos atrapalham a inserção da leitura de literatura na escola: a sociedade de consumo e a necessidade de avaliar todo o conteúdo dado na escola.

“Na sociedade em que vivemos, as pessoas são medidas pela capacidade que elas têm de compra, e os livros perdem espaço nesse mundo”, disse. “Além disso, muitas escolas querem fazer da literatura um instrumento pedagógico e avaliar o que foi absorvido pelas crianças”, afirmou. “Essa atitude enfraquece o texto e tira a possibilidade da leitura por prazer e para a liberdade”, concluiu.

Saiba mais sobre o salão FNLIJ no link http://www.salaofnlij.org.br/salaofnlij/

(Matéria publicada originalmente no site do Instituto C&A, no dia 27 de junho)

A Palavra Conta

Produzida durante o ano passado pela Java 2G, a campanha apresenta vinhetas com depoimentos e imagens de pessoas das diferentes regiões do Brasil, mostrando um país que lê, se transforma e se emociona com a literatura, mas que também precisa percorrer um longo caminho para garantir o direito de acesso aos textos literários. Essas imagens fazem parte do documentário “A Palavra Conta”, lançado na Flip 2010. A Campanha será apresentada na Flip 2011.

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