Por Christine Castilho Fontelles, conselheira do Movimento por um Brasil literário, para o “Chega de Trabalho Infantil”

“Tudo o que não invento é falso.” A frase é de Manoel de Barros (1916-2014), querido poeta brasileiro. Está lá em seu livro “Memórias Inventadas”. E está aqui no comecinho desta prosa para temperar a ideia sobre a importância da literatura no acolhimento de uma criança já nos seus primeiros anos de vida; sobre o valor de ser semeada juntamente com outras ofertas, outros cuidados. “Lembrem-se que bebês leem com os ouvidos e que os adultos são o texto deles por excelência”, diz Yolanda Reyes, autora colombiana que fundou um lugar muito especial e acolhedor chamado “Espantapajaros”, em Bogotá, que se ocupa da formação do leitor literário desde a mais tenra idade.

“Tudo o que existe no mundo passou antes pela imaginação de alguém”, dizia o saudoso poeta mineiro Bartolomeu Campos de Queiros. Ora, do que estamos falando quando falamos de oferecer arte literária? Falamos de construção de humanidades, de acolhimento ao novo que chega para somar e compor às redes de cuidados com a vida em sua infinita diversidade. Semear a percepção de que, sim, pertencemos a uma humanidade comum e acolhemos o novo bom e melhor. Oferecendo literatura para que experimente e entenda a linguagem como meio de apropriar-se do mundo e da experiência literária como “lugar” que nos acolhe para além do burburinho de todas as mídias e suas mensagens superficiais e tantas vezes raivosas, impregnadas de preconceitos, onde a vida é apresentada fatiada e de forma funcionária. A literatura acolhe em seu colo a nova vida que nasce com abertura para a escuta e para o diálogo. É essa a mensagem que comunicamos como cuidadores; a vida, sem estereótipos.

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