1. De que maneira o Movimento alinha-se à missão da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro? Como essa parceria tem contribuído e pode contribuir com o trabalho conjunto do MBL e ações da Secretaria?

A Superintendência da Leitura e do Conhecimento é o órgão da Secretaria de Estado de Cultura que tem como eixo central de suas ações a consolidação de uma política de leitura para todo o Estado do Rio de Janeiro, dentro das bibliotecas públicas, bem como dos espaços e contextos sociais diversos. A articulação com outros esforços idealizados pelo terceiro setor, entidades privadas ou pela sociedade civil é fundamental e constitui o amadurecimento da democracia em nosso país. Tal maturidade pode ser inclusive constatada pela construção do Plano Setorial do Livro e da Leitura, amplamente discutido por diversos atores e instituições (disponível no portal www.culturarj.gov.br), muitos deles parceiros de longa data do Movimento Brasil Literário.

Penso que a implantação das Bibliotecas Parque de Manguinhos, Rocinha, bem como a reforma das Bibliotecas Parque de Niterói e a Estadual, matriz da rede, foi um passo extremamente importante, fazendo com que as políticas públicas de livro e leitura ocupassem o lugar de protagonismo nas ações desenvolvidas por esta Secretaria.

Este diálogo é fundamental, pois traz um alinhamento conceitual e político, com um único objetivo para todos: ampliar o acesso ao livro, sem qualquer restrição de etnia, gênero, credo ou idade. Em outra palavras, garantir o direito ao conhecimento de si e do mundo como forma precípua de garantia de liberdades.

2. Como você vê a relação e a importância da leitura literária com a Cultura? Qual a sua visão sobre a presença da literatura na formação cultural dos brasileiros?

Uma das possíveis maneiras de se entender e de se problematizar a definição de Cultura é através da dimensão antropológica. Nela, a Cultura deve ser compreendida a partir do seu valor simbólico, com toda a carga que esta definição traz. Trata-se, portanto, não apenas daquilo que é produzido – o que seria restrito ao campo econômico – mas reforça as diversas formas de interação entre os sujeitos e, mais ainda, traz a possibilidade de modelagens de identidades e diferenças.

E esta é a dimensão simbólica que a literatura nos oferece, com escritas poéticas e fantásticas, lidas e recriadas pelo leitor. Estamos avançando, mas há muito a se fazer. Uma das lacunas é a qualificação de profissionais que atuam nas salas de leitura, de bibliotecas e outros espaços de leitura. É por isso que o foco da Superintendência da Leitura e do Conhecimento para 2015 está na realização de cursos voltados para educadores, bibliotecários, mediadores sociais e de leitura, contadores de histórias e demais agentes ligados à promoção da leitura. Sendo assim, podemos contribuir para a valorização simbólica da leitura literária na cultura brasileira.

3. Em que o trabalho por mais e melhores bibliotecas públicas, escolares e comunitárias é importante e influencia a formação cultural de um povo?

Hoje, no mundo todo, os espaços culturais que sofrem as maiores ressignificações são os museus e as bibliotecas. Ambos os espaços ganham hoje mais vida, ampliando o lugar para a produção de saberes. No caso das bibliotecas, temos que conjugar tais espaços com o silêncio e a pausa necessários para a leitura, no contratempo da aceleração vertiginosa da contemporaneidade.

Mas a realidade no estado do Rio de Janeiro ainda é, em sua imensa maioria, de bibliotecas obsoletas e sem vida, com acervos que não dialogam com o século XXI. A implantação de novas bibliotecas realizada pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, através da Superintendência da Leitura e do Conhecimento, foi de fato um avanço e trouxe novas referências e possibilidades para os municípios. O Sistema Estadual de Bibliotecas, responsável pelo acompanhamento e orientação das bibliotecas municipais, comunitárias, salas de leitura, foi muito beneficiado por tais implantações, levando às diversas localidades este modelo e experiências.

Como disse anteriormente, tudo isto está ligado à dimensão estética e política do valor simbólico da Cultura, da cultura de um povo. Nossa pergunta, portanto, talvez deva ser: como influenciar cada vez mais e melhor? Juntos com certeza encontraremos melhores caminhos.

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