RETROSPECTIVA MBL 2012

“Toda mudança que se quer profunda é lenta”, dizia Bartolomeu Campos de Queirós, cada vez que Áurea Alencar se afligia. Ela sentia que o tempo urgia, e ele, ainda que percebesse o tempo escorregando por entre suas mãos, não tinha pressa. Agora, quase um ano após sua morte e depois de um ano de intensas realizações, que infelizmente não puderam contar com a calma assertiva do escritor, o MBL fecha mais um ciclo de realizações, com a sensação de que o tempo voou, mas que ainda falta muito tempo.

O MBL se fortaleceu. Selou parcerias com o CEAT (Centro Educacional Anísio Teixeira) e o SESC (Serviço Social do Comércio) e já está colhendo os frutos destas novas uniões: Foi através do CEAT que os alunos da escola estadual Rivadávia Corrêa, no Rio de Janeiro, aderiram espontaneamente ao MBL. O documentário “A Palavra Conta”, que  foi distribuído para todas as secretarias de educação e cultura do pais em 2011, sensibilizou pessoas e instituições em diferentes municípios brasileiros que  decidiram fundar seus movimentos locais. Vale relembrar que a Secretaria Municipal de Educação de Alta Floresta,  após receber o documentário “A Palavra Conta” e o Manifesto por um Brasil Literário decidiu organizar o “Manifesto por uma Alta Floresta Leitora”. Já em 2012, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro distribuiu 1400 cópias do documentário em escolas, creches e bibliotecas, além de 10 Coordenadorias Regionais de Educação. Na Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu, o Manifesto foi distribuído para todas as escolas e foi promovido um debate sobre o documentário junto aos professores da rede.  Inspirado no MBL, foi lançado o Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores e o Manifesto por uma Paraíba de Leitores. Ainda, podemos registrar algumas  manifestações espontâneas de leitura do Manifesto em eventos que ocorreram em Roraima, Campos de Goitacazes, São Luiz, João Pessoa e Miguel Pereira. Todas estas iniciativas são o resultado de uma semente plantada pelo movimento, e pelo insubstituível Bartolomeu, ao longo desses quatro anos de movimento.

Para dar continuidade às articulações, eixo estruturante do MBL, identificamos ao longo deste ano,  a necessidade de criar ações nas quais pessoas e organizações possam se juntar. Além das ações de mobilização já em andamento, o grupo elegeu como uma das ações prioritárias, a criação da rede nacional por um Brasil literário, com a constituição dos núcleos regionais, bem como o premio Brasil literário para jornalistas, a realização de um seminário em 2013 e a constituição de grupos de trabalho por área de afinidade – biblioteca, comunicação e rede. Um espaço denominado Conselho Institucional abrigará as organizações fundadoras e  demais parceiros do MBL. Os grupos de trabalho foram definidos no começo de outubro e haverá muito a ser feito em 2013.

O MBL também aderiu formalmente à Campanha eu Quero Minha Biblioteca pela efetivação da lei 12.244, iniciativa do Instituto Ecofuturo em parceria com diversas instituições comprometidas pelo direito à biblioteca. Biblioteca foi o tema  de um dos debates realizados pelo MBL no âmbito da FLIP 2012, contando com a presença da colombiana Silvia Castrillón, que revolucionou as políticas públicas para as bibliotecas em Bogotá. Com Silvia, sonhamos ainda, criar uma America Latina literária, mas estes são ainda votos de ano novo. Durante o 14º Salão FNLIJ do Livro, a também bibliotecária Geneviève Patte, autora e pesquisadora francesa, brindou os integrantes do MBL com sua cuidadosa reflexão e os relatos de suas experiências na implantação de bibliotecas comunitárias na periferia de Paris.

Nilma Lacerda, a poetisa do MBL, com seus olhos de água, emocionou as platéias do Salão FNLI,  da FLIST (Festa Literária de Santa Tereza), organizada pelo CEAT, bem como o público da FLIP também. Lembrando que nas bibliotecas os livros sussurram, ela contou diversas histórias sobre meninos, livros, silêncios e burburinhos nos ambientes de leitura.

O escritor e pesquisador Luiz Percival Leme Britto, promoveu reflexões profundas durante o 18º COLE (Congresso de Leitura da Unicamp), defendendo que a literatura requer esforço e disciplina. Segundo ele, vivemos em uma sociedade condicionada pelo lazer e entretenimento. Enquadrar a literatura nessa dimensão lúdica é um equívoco. “Ler é difícil”, argumentava ele, respaldado pela pesquisadora Fabíola Farias, que coordena as bibliotecas de Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Fabíola defendeu a biblioteca vazia em detrimento das atividades lúdicas que ocorrem naquele espaço, como curso de costura, origami ou colagem. Biblioteca é espaço para ler, argumentavam eles, diante de uma platéia formada, inclusive, por contadores de histórias. Beth Serra, secretária geral da FNLIJ, participou da homenagem a Bartolomeu de Campos Queirós na FLIP 2012, ao lado da escritora Ninfa Parreiras, relembrando os principais ensinamentos do escritor.

Foi assim, contagiando, emocionando, polemizando que o movimento foi se espalhando pelo Brasil ao longo de 2012: como uma onda. Como uma imensa e silenciosa onda, criando movimentos locais, aumentando consideravelmente sua presença nas redes sociais, ganhando novas adesões. Hoje somos exatamente 10026 mobilizados! Que venha 2013, com muito mais movimento.

Confira abaixo as principais ações do MBL durante o ano de 2012:

•    Salão FNLIJ do Livro Infantil e Juvenil (Abril/2012 – Rio de Janeiro – RJ) – Seminário MBL – Palestrantes: Nilma Lacerda, Graça Castro, Christine Fontelle, Genevieve Patte e Luiz Percival Brito.
•    FLIST – (Maio/2012, Rio de Janeiro – RJ) Mesas sobre Biblioteca da Escola com Nilma Lacerda, Patrícia Lacerda e Graça Moteiro;
•    30ª Semana Cultural José Lins do Rego – (Junho/2012 João Pessoa – PB) –  Participantes: Cida Fernandez, Prof. Lourival e Bené.
•    FLIP (Julho/2012, Paraty – RJ)
–    Mesas sobre biblioteca com Silvia Castrillon, Nilma Lacerda e Marcio Vassalo
–    Homenagem a Bartolomeu Campos de Queirós com Nilma Lacerda, Beth Serra e Ninfa Parreiras;
–    Entrevistas com Luis Fernando Veríssimo, Villa Matas, Silvia Castrillón, Angeli e Laerte e publicadas no site.
•    SESC (junho/2012 – Paraty) Homenagem a Bartolomeu Campos de Queirós na Casa de Cultura do SESC com a participação de Áurea Alencar;.
•    COLE (Julho/2012, Campinas-SP) – Mesa Redonda com Luiz Percival Leme Britto, Fabíola Farias e Patrícia Lacerda com exibição do documentário “A Palavra Conta” e exibição de vinhetas antes das mesas de palestrantes.
•    Seminário Potiguar Prazer em Ler (Agosto/2012, Natal-RN) – O MBL participou da Mesa Redonda sobre Política Públicas para um Brasil Literário e de um encontro  com professores do IFESP-RN, UnP, UFRN, organizado pelo  Instituto IDE, para a constituição do núcleo por um Brasil Literário e outras possibilidades de ação;
•    Festa Literária de Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (Setembro/2012, Miguel Pereira – RJ)- mesa do MBL, com palestra de Marisa Borba e Ninfa Parreiras  e exibição do documentário a Palavra Conta. O Contato deu-se por meio do site.-
•    I Jornada Municipal da Leitura ( Setembro/2012,  Alta Floresta – MT) – Homenagem ao Bartolomeu Campos de Queiroz.
•    Primavera do Livro – Secretaria Municipal de Educação – Setembro/2012, Rio de Janeiro – RJ) – Debate sobre o documentário A Palavra conta com a participação de Marisa Borba.
•    Participação na Campanha Paixão em Ler – novembro de 2012
•    Encontro de Adesão ao Movimento por um Brasil literário- novembro de 2012, na Escola Estadual Rivadávia Correia
•    Adesão  Campanha: “Eu quero minha biblioteca escolar” pela efetivação da lei 12.244 – setembro de 2012
•    Homenagem ao Bartolomeu Campos de Queirós na Fundação Biblioteca Nacional – novembro de 2012

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