O Centro de Leitura Quindim nasceu de um desejo do seu idealizador, Volnei Cunha Canônica, integrante do Movimento por um Brasil literário, de formatar um espaço onde crianças, jovens e adultos possam ter acesso à Literatura Infantil, Juvenil e a conteúdos teóricos sobre a temática desse universo. No dia 19 de setembro de 2014, o Quindim se materializou num encontro com diversos caxienses, mas a atuação do Centro de Leitura Quindim não se restringe à cidade de Caxias do Sul e à região. O Quindim pretende desenvolver ações em várias cidades do Brasil. Para isso, já conta com a colaboração de pessoas de diferentes Estados brasileiros.

O nome do Centro de Leitura foi dado pelo escritor e ilustrador Roger Mello, vencedor do Prêmio Hans Christian Andersen 2014 – categoria Ilustrador, que também criou a logomarca.  É uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, considerado o pai da Literatura Infantil. Monteiro criou nas suas histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo o personagem Quindim, um rinoceronte. O nome Quindim também surge como uma homenagem ao poeta, tradutor e jornalista gaúcho Mario Quintana, que declarou ser esse o seu doce preferido. Mario Quintana é um dos maiores poetas brasileiros do século 20 e sua obra é uma das mais importantes contribuições para a Literatura de nosso país.

Desde a sua criação, em setembro de 2014, o Centro de Leitura Quindim já realizou cinco encontros de estudos. Entre eles, ressaltamos dois com a presença de especialistas e abertos ao público. Um deles foi o curso de formação sobre “A qualidade do livro infantil e a importância do registro nas práticas de leitura”, com o pedagogo, mediador e multiplicador de leitura Beto Silva (São Paulo). Também ganhou destaque um bate-papo sobre “O direito ao imaginário”, com a bibliotecária, autora, editora e diretora da Asolectura – Asociaçión Colombiana de Lectura y Escritura, Silvia Castrillón, e o escritor, ilustrador, diretor de teatro e ganhador do Prêmio Hans Christian Andersen 2014, Roger Mello.

O Centro de Leitura Quindim compreende a leitura de literatura em três perspectivas articuladas:

– Como processo de construção de significados

Entendemos que o leitor é sujeito daquilo que leu: pensa, associa ideias, reflete, faz conexões com a sua experiência de vida, desloca-se no tempo e no espaço tornando-se assim um autor desta leitura e não só um receptor das informações veiculadas no texto.

– Como deleite

O estudioso norte-americano Harold Bloom, em sua obra Como e por que ler apresenta que: “Ler bem é um dos grandes prazeres da solidão; ao menos segundo a minha experiência, é o mais benéfico dos prazeres. Ler nos conduz à alteridade, seja a nossa própria ou a de nossos amigos, presentes ou futuros. Literatura de ficção é alteridade e, portanto, alivia a solidão. Lemos não apenas porque, na vida real, jamais conheceremos tantas pessoas através da leitura, mas também porque amizades são frágeis, propensas a diminuir em número, a desaparecer, a sucumbir em decorrência da distância, dos desafetos da vida familiar e amorosa”.

Bloom chama a atenção para a alteridade que a literatura proporciona. Ela nos coloca de frente para o outro, num diálogo ora silencioso ora falado. Há uma relação de sociabilidade e de diferença entre o sujeito em conjunto e a unidade, onde os dois sentidos interdependem na lógica de que para constituir uma subjetividade é necessário um coletivo. Existimos a partir da visão do outro, o que nos permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, tanto do diferente quanto de nós mesmos.

– Como processo de construção da cidadania

A leitura literária possibilita inúmeros processos como: contentamento ou desconforto em relação ao mundo objetivo e subjetivo; sentimentos promovem uma reflexão contextualizada, ou posicionamento cidadão em quem lê. Ler literatura pode não modificar nem melhorar vida de ninguém, mas facilita o contato com sentimentos que desconhecemos em nós mesmos, podendo provocar a reflexão crítica de modos diferentes em distintos leitores.

A cultura ficcional tanto no texto verbal quanto no visual é um patrimônio da humanidade e portanto ler e escrever não é somente uma necessidade da vida contemporânea, mas também uma ferramenta que nos constitui como sujeitos críticos e criadores e que deveriam ser acessíveis a todos os cidadãos.

Saiba mais sobre o trabalho do Núcleo: http://bit.ly/1FqgpTo

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