Carta de Princípios do Movimento por um Brasil Literário

1. O Movimento por um Brasil Literário é um espaço plural e diversificado que articula de forma descentralizada, em rede, pessoas, organizações sociais e movimentos engajados em ações concretas, pela construção de um Brasil mais justo, mais democrático, em defesa pelo direito de todos à literatura.

2. O Movimento por um Brasil Literário tem por causa contribuir para a universalização e defesa do direito de acesso à leitura literária, valorizando a cultura escrita e a educação literária no país.

3. O Movimento por um Brasil literário busca promover o debate sobre a importância da leitura literária e da participação da sociedade civil na efetivação das políticas públicas de leitura e escrita.

4. O Movimento por um Brasil Literário é um espaço aberto para propagar ações exitosas desenvolvidas tanto na esfera pública quanto privada, promovendo discussões, na busca de alternativas para minimização de danos ao principal objetivo desta articulação que é promover o direito à leitura de forma democrática.

5. O Movimento por um Brasil literário considera:

  • (A) a leitura literária como um dos aspectos fundantes da humanização que concorre para o exercício de um pensamento crítico e inventivo; que é por meio da literatura que se democratiza o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável;
  • (B) a leitura literária e a cultura escrita enquanto direito de todos; e para que possa ser usufruído, considera há que produzir as condições materiais e sociais necessárias à formação do leitor;
  • (C) que a função da educação literária, tanto no âmbito escolar como nos movimentos culturais, é promover o senso crítico, a educação estética, e os conhecimentos que ultrapassam a esfera do imediato e produzem as indagações da condição de existência;
  • (D) que a literatura é essencial para a criança, porque pode oferecer condições e abrir espaço para a imaginação, a espontaneidade, a afetividade, a alteridade, o desejo de liberdade;
  • (E) que a literatura é um bem cultural que amplia as possibilidades de realização da liberdade e do autoconhecimento;
  • (F) que é no mundo possível da ficção que o homem encontra espaço para o livre para pensar e configurar alternativas, deixando agir a fantasia e imaginar outro mundo possível;
  • (G) que a literatura promove os indivíduos a sujeitos responsáveis por sua própria humanidade, porque podem, por meio dela, idealizar outro cotidiano em liberdade, ganhando conhecimento do mundo amplo e diverso;
  • (H) que a literatura é uma possibilidade intrínseca de inclusão, e que acolhe sem ignorar nossa incompletude; que a literatura guarda, em suas metáforas, as experiências do leitor e não ignora suas singularidades;
  • (I) que a literatura possibilita ao leitor estabelecer o diálogo entre o real e o imaginado;
  • (J) que o sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive;
  • (K) que a literatura é capaz de produzir um espaço subjetivo entre a pessoa e o mundo, entre o vivido e o sonhado, entre o conhecido e o por conhecer, o que nos confirma como parte de uma rede de relações;
  • (L) que a amplitude do pensamento proporcionada pela leitura literária concorre para a construção de novos desafios para a sociedade e para cada um;
  • (M) que por meio da leitura literária os sujeitos passam de consumidores a investidores na tessitura do mundo e buscam a qualidade da existência humana;
  • (N) que é preciso promover a leitura literária para contribuir com a formação de uma sociedade leitora;
  • (O) que um projeto literário, por sonhar um país mais digno, é uma ação política