(entrevista publicada originalmente no site do Instituto C&A)

12/07/2011, Paraty (RJ) – Bartolomeu Campos de Queirós, autor de mais de 40 livros infantis e juvenis desde a década de 1970, participou, em 7 de julho último, de uma mesa-redonda sobre a importância da leitura literária. O evento aconteceu durante a 9ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em uma sessão organizada pelo Movimento por Um Brasil Literário na Casa da Cultura. Nesta entrevista, o escritor, que é um dos idealizadores do movimento, comenta o tema com exclusividade para o site do Instituto C&A.

Qual a importância da leitura de literatura?

Bartolomeu Campos de Queirós – A literatura é importante na medida em que é feita de ficção e conversa com esse mundo idealizado que o sujeito tem na memória. Essa conversa entre fantasias e entre possibilidades é fundamental em qualquer sociedade.

E com relação às crianças especificamente? Qual a importância da leitura de literatura para elas?

BQ – A criança, nesta época que está em formação, na medida em que ela toma posse do livro, ou do texto literário, ela se torna uma pessoa mais crítica, mais sensível, com um cuidado de análise maior e isso é importante para uma sociedade.

Qual o papel dos pais na formação de filhos leitores?

BQ – Nos dias de hoje, temos que pensar em toda a sociedade envolvida com o texto literário. Tanto os pais, como os professores, como a sociedade em geral, devem participar desse movimento, porque é impossível deixar só para a escola essa responsabilidade. Os pais exercendo essa tarefa de formar filhos leitores é fundamental para nós.

E os pais não-leitores podem formar filhos leitores?

BQ – Claro. A escola pode colaborar com isso e a criança também pode se tornar uma intermediária entre a leitura dos pais e a leitura literária.

O Movimento por Um Brasil Literário está completando dois anos de existência. Que conquistas podemos atribuir a essa iniciativa? Já temos de fato um movimento nacional por um Brasil literário?

BQ – Em dois anos, nós temos um número muito grande de adeptos do movimento (cerca de 6,3 mil pessoas). Nós não o chamamos nem de plano, nem de projeto, mas sim de movimento porque ele traz e reconhece todos aqueles que gostam e promovem a literatura como membros da ação. Essa mobilização tem crescido muito ao longo desses dois anos de trabalho, mas sabemos que tem muito ainda pela frente. A nossa tentativa é ter um movimento literário de toda uma sociedade sensível à literatura.

Nos últimos anos, surgiram várias ações governamentais, como o Plano Nacional do Livro e da Leitura, e da sociedade civil na área de promoção da leitura. O senhor já viu tamanha mobilização? A que atribui?

BQ – Essa mobilização do poder público na formação do leitor acontece porque a sociedade civil tem se mobilizado muito e reconhecido a função da literatura. Essa posição força um pouco o poder público a construir determinadas tarefas e realizar determinadas coisas em função do livro literário. Isso é uma nova força da sociedade civil.

Foto: Carolina Quintanilha.  Bartolomeu Campos de Queirós. Roda de conversas do Movimento por um Brasil literário na Flip 2011.

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