Confira artigo de Christine Fontelles, conselheira do MBL, para o site do Promenino.

 

Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2015, 38% dos universitários não são plenamente alfabetizados. E há dez anos esse percentual era de 24%. Ou seja, em uma década subiu 14 pontos percentuais, o que é muito, muito ruim: 57% dos estudantes do Ensino Médio e 27% da população adulta são analfabetos funcionais. Expresso em números inteiros, são milhões de pessoas que não têm “habilidade de ler e escrever diferentes gêneros e suportes, com coerência e compreensão crítica”.

De acordo com a pesquisa que baseia a tese de mestrado da pedagoga Noemi Lemes, para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, “os alunos brasileiros estão saindo da escola com dificuldades para argumentar, defender teses e construir pontos de vista”. A tese ainda revela que a razão está no restrito acesso a um único gênero textual, o livro didático, repleto de informações extraídas das mídias e que reproduz opinião de quem o escreveu. Nada ou quase nada de literatura, filosofia, política, retórica. Ao invés de serem ensinados a buscar informações em diversos gêneros textuais e autores para desenvolver pensamento autoral e posicionamento crítico, reproduzem ideias pré-concebidas, ou preconceitos (leia mais sobre a pesquisa aqui).

Outro dado assustador revelado pelo Inaf e que compõe o complexo cenário do letramento no País: em 2015 o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, que realizam a pesquisa, incluíram um 5º nível de alfabetismo aos 4 pré-existentes, visando acurar ainda mais os dados, que por ora são nominados de “proficiente”. Um nível que indica “habilidade de ler, compreender, tomar decisões e argumentar a partir da avaliação de diversas variáveis e bases textuais”. No recorte posição de trabalho declarada, a pesquisa revela que apenas 22% daqueles que exercem posição de liderança nas empresas tem o nível proficiente.

 

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*Christine Castilho Fontelles é cientista social formada pela PUC/SP com MBA em marketing pela FIA/FEA/USP. Consultora de educação do Instituto Ecofuturo, organização da qual foi co-idealizadora e onde criou e dirigiu o programa “Ler é Preciso” por 15 anos. É conselheira do Movimento por um Brasil Literário e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Fundadora da Centhral do Brasil, Consultoria de projetos de educação para a leitura e escrita e sustentabilidade.

2 Respostas para “Artigo: O complexo cenário do letramento no Brasil, por Christine Fontelles”

  • Lido o texto completo, a sensatez de Christine ecoa em nossas reflexões. Mais: a solidariedade e busca de beleza que esta cientista empreende em suas práticas e textos mostra-se consolo e caminho. Muito grata, Christine. O pálido ponto azul sente-se abraçado por você.

  • A alfabetização no Brasil está longe de atingir o nível de excelência de países como Estados Unidos, França, Alemão. Onde o ensino é 1000% (sem exageros), superior ao nosso. É um verdadeiro absurdo, as práticas arcaicas de ensino que não evoluíam com o tempo, contribuem para o aumento dos analfabetos funcionais.

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