A literatura perdeu um de seus maiores expoentes. Morreu hoje, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, aos 87 anos, o escritor português José Saramago. De posicionamentos políticos corajosos e polêmicos ele chamava a atenção para a fragilidade da democracia. “Vivemos uma democracia sequestrada, condicionada e amputada”, disse certa vez. E lembrava da importância do pensar, da reflexão e de viver com mais filosofia. “Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão. Sem ideias, não vamos a parte nenhuma”, disse em entrevista à Revista do Expresso, de Portugal, em 2008.
 
A filosofia foi uma das linhas mestras das obras do escritor José de Souza Saramago. O poeta, romancista, escritor, argumentista e jornalista, nascido em Azinhaga, Portugal, em 16 de novembro de 1922, ganhou o Prêmio Camões em 1995 e foi o único autor de língua portuguesa a  ser agraciado com um Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Entre seus livros mais conhecidos estão “O evangelho segundo Jesus Cristo”, “A jangada de pedra”, “A viagem do elefante”, “Caim” e “Ensaio Sobre a Cegueira”.

Era conhecido também pelo seu ateísmo e iberismo, que renderam controvérsias em torno de suas obras. Foi membro do Partido Comunista Português e diretor do periódico Diário de Notícias. Com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues fundou, em 1992, a Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). 
 
O escritor era casado com a espanhola Pilar del Río e vivia em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Escreveu no site da Fundação José Saramago a seguinte nota:
 
“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro. “Cada vez mais sós”, in Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216 (Seleção de Diego Mesa)

Saiba mais na Fundação Saramago e no blog da Flip.

Deixar comentário