O 8º Seminário Beagalê, espaço para reflexão sobre leitura, literatura e bibliotecas já consolidado no calendário da capital mineira, aconteceu nos dias 10, 11 e 12 de junho, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte. Sua programação foi elaborada coletivamente, em reuniões públicas, por técnicos da Fundação Municipal de Cultura e da Secretaria Municipal de Educação e pela sociedade civil (professores, bibliotecários, agentes comunitários, escritores, editores…), com grande destaque para as bibliotecas comunitárias da cidade. Com o objetivo comum de discutir conceitos e entendimentos que subsidiarão a construção do Plano Municipal de Leitura, Literatura, Livro e Bibliotecas, poder público e sociedade civil trabalharam juntos na proposição de temas e especialistas que compuseram o Seminário.

Na conferência de abertura, o professor Luiz Percival Leme Britto, membro do Movimento por um Brasil literário, aprofundou a reflexão sobre o direito à leitura, convocando os participantes a pensarem a leitura de maneiras menos ingênuas,  distintas das propagandeadas pelo lugar-comum, com suas promessas de prazer e salvação. Com uma abordagem filosófica, histórica e literária, de lucidez incomum, Percival trouxe a perspectiva da leitura como exercício de especulação, de criatividade, de experiência e de liberdade/emancipação. O debate, mediado por Rafael Mussolini (Polo de Leitura “Sou de Minas, uai”), rendeu bons questionamentos e depoimentos.

Jailson Souza e Silva (UFF/ Observatório de Favelas do Rio de Janeiro) e Inês Teixeira (UFMG), mediados por Alcenir Reis (UFMG), discutiram as relações dos programas de promoção da leitura com outras políticas sociais e, especialmente, com as conquistas alcançadas por projetos desenvolvidos pela sociedade civil. Denunciando a definição comumente feita das favelas e comunidades mais pobres como espaços da falta – onde falta educação, onde falta saúde, onde falta asfalto -, Jailson criticou as iniciativas que oferecem arte como remédio para a pobreza.

Ricardo Fabrino Mendonça (UFMG) e Elisa Machado (SNBP/MinC), mediados por Eduardo Barbosa (Assoc. Amigos Bibliotecas Comunitárias de Belo Horizonte) abordaram a formulação de políticas públicas. Ricardo fez uma exposição bastante didática sobre democracia e participação social e passou a palavra para Elisa, que apresentou as ações do Ministério da Cultura para a área.

Os escritores Luiz Ruffato e João Anzanello Carrascoza, provocados pela leitura de seus próprios textos literários feita pela bibliotecária Cleide Fernandes (Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais), falaram sobre suas experiências de leitura, os primeiros contatos com os livros, a descoberta das bibliotecas (imposta para o primeiro e prazerosa para o segundo) e sobre os processos de escrita. Tanto um quanto outro professaram a perspectiva política da literatura e as transformações que ela pode provocar nas pessoas.

Isabel Coelho (Editora Cosac Naify) e Jiro Takahashi (Editora Prumo), mediados pelo escritor Adriano Macedo, coordenador do Coletivo 21, um grupo de escritores de Belo Horizonte, debateram, a partir de reflexões conceituais e de um percurso histórico, o papel do mercado livreiro, especialmente o ramo editorial, na consolidação de uma política pública para a formação de leitores. Com participação ativa da platéia, temas como qualidade, sustentabilidade econômica e tendências editoriais foram abordados por Isabel, Jiro e Adriano.

A última, mas marcada por uma promessa de iniciação, atividade do 8º Beagalê foi a escolha, pelos pares, dos representantes da sociedade civil que comporão o grupo executivo que nos próximos meses trabalhará na elaboração de uma proposta, com objetivos, metas e estratégias, de Plano Municipal de Leitura, Literatura, Livro e Bibliotecas.

Por: Fabíola Farias

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